Noites em claro, dias escuros

Posted: 29 de maio de 2012 | Por Felipe Voigt | Marcadores: 1 comentários
A única coisa real é a dor.

O resto ilude, superestima, faz sentir o que não é real. A dor não: ela te subestima, te dá o gosto amargo e aguado da realidade. Um ranço que percorre a garganta e dói no estômago. A ilusão é doce e insossa como um algodão doce, que se dissipa no pequeno abocanhar faminto, te deixando com a falsa sensação de saciedade.

O que segura um homem quando seus joelhos travam para que seu corpo não caia durante o banho, o colocando novamente na mesma situação de misturar as lágrimas com a água que cai, se afogando sem conseguir se levantar? O que mantém um homem em pé quando tudo o que ele precisa é de apenas uma mão tirando um pedaço de esperança de algum lugar e que o ajuda a acordar no dia seguinte, a dormir no dia que se encerra?

O que faz um homem não dobrar os joelhos e tentar se manter em pé é justamente a quantidade de dor que ele já sentiu na vida. Ou ainda: o quanto de dor ele ainda sente e sentirá. É a falsa esperança de que uma hora sairá desse inferno é o que o faz acordar, tentar dormir, e depois de novo se levantar. Quanto mais dor, mais esperança de sair dela ele possui.

Isso é o que te faz controlar a coragem de acabar com tudo. É o que te mantém longe das garrafas, dos copos, dos tragos. Tudo isso transforma covardes em heróis. E tudo o que você menos precisa é de coragem nessas horas. É o que mantém pulsos fechados e gargantas respirando quando a vontade é apenas de acabar com tudo de uma vez.

Mas ela o detém porque o tem.

Quanto mais a tenta afogar, mais fixa no fundo a âncora que te entrava. É assim que funciona a dor: quanto mais rasa, mais livre dela poderá ficar. Mas há sempre um idiota que busca compreendê-la e conhecê-la. Nessa busca pela realidade, nesse vício pela realidade, ambos afundam. Mas a dor sobrevive desse sufocamento. Ele não.

E a impressão que passa é a de que quanto mais o homem conhece o outro lado da cerca, mais alta ela fica. Quanto mais o gosto do alívio e da pseudo-felicidade ele sente, maior fica o muro para voltar a senti-los novamente. E a vida, essa filha da puta, parece se divertir dando a esse idiota o gosto daquilo que ele nunca poderá ter efetivamente. É como se colocasse um sorvete em sua boca em pleno verão, fazendo-o esquecer por um tempo do inverno... Mas subitamente o sorvete derrete, deixando apenas a lembrança de como é sentir-se aliviado do calor, deixando apenas o medo da volta eminente do frio.

A dor recebe o iludido de volta. Olha para a cara dele e diz: “você achou mesmo que poderia?”. E ele realmente achou. Respirou um tempo, sentiu a brisa da paz tocar-lhe a face, pôde um dia vislumbrar o que seria uma vida diferente da que lhe foi imposta.

Mas durou o tempo de um sonho.
E sonhos duram menos do que podemos esperar.

Sabe aquela coisa de alguém se afogando e chega outro para ajudar e ambos se afogam porque o primeiro se agarra ao segundo como se agarrasse a única chance de respirar?

Talvez isso seja o amor: você se jogar em resgate de alguém, sabendo que ambos poderão sucumbir ao desespero do outro em busca da vida. É entender que o outro se agarra a você não para te afundar junto, mas por querer também sobreviver ao mar da vida. E saber que não há intenção mútua de se afogarem. Porque você até suporta engolir água pelo outro, mas não pode tolerar que o mesmo tenha intenção de te afundar a cabeça e cortar seu ar.

Talvez amor seja isso: mesmo cansado de bater as pernas, mesmo exausto de tanto nadar, mesmo quase desistindo do respirar, você permite que alguém tente te resgatar, mesmo sabendo que tal tentativa irá causar ferimentos no outro. Você não desiste porque o outro ainda não desistiu de você. E ambos entenderão que as marcas causadas não foram intencionais. Foram circunstanciais e assim as suportarão. Porque você até suporta se machucar, mas não pode tolerar a reincidência de machucados intencionais.

Talvez amar seja assim: aceitamos cair nesse mar, correndo o risco de nos afogar e desistir de tudo, mas não queremos ver quem amamos se jogar da mesma plataforma com a mesma intenção. Porque sabemos o que leva alguém a se jogar. Há uma estranha sintonia na dor que nos faz enxergar o outro de uma forma como nós mesmos não nos enxergamos. Muito menos aceitamos ver esse alguém ser jogado. Porque o amor até aceita rompantes de autoflagelo, mas não tolera os açoites sádicos alheios.

Para mim, o amor é o coletivo de sentimentos e, como tal, se arma de dois deles para salvar os náufragos desesperados por ar, mas que acham já desistiram de respirar. Penso que o amor é como aquelas boias que crianças usam nos braços para aprender a nadar. Uma boia se chama respeito, a outra lealdade. Sem uma, a outra sucumbe ao peso do corpo. E sem ambas, não há como seguir boiando. Nem como aprender a nadar.

Mas tudo dura o tempo de um sonho.
E sonhos duram menos do que podemos esperar.

E é nessa hora que a dor te acolhe em sua cama de espinhos, te cobre com sua manta de metal incandescente, te afaga com suas ásperas mãos e diz, com aquela voz rouca e embargada: “eu estou aqui”. Lá no fundo, ancorada, te prendendo o ar enquanto olha para cima e vê a imagem se turvando daquele alguém que cometeu a heresia de tentar te salvar, segurou sua cabeça acima da superfície e te fez sentir como é respirar.

Enquanto afunda, se lembra do que é viver sabendo que hoje será sempre o último dia que terá daquela pessoa. Conviveu com a certeza de que amanhã não a teria mais. E fechou os olhos para não mais perdê-la de vista.

Desesperado, você tenta sair, mas já está preso novamente. De novo. Outra vez. E estranhamente sente que a lealdade da dor para com você é eterna. Ela nunca te abandonará nem nunca te iludirá. Ela apenas o quer assim, miserável como sempre.

Porque, no final, a única coisa real é a dor.


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Encontre seu Wilson

Posted: 24 de maio de 2012 | Por Felipe Voigt | Marcadores: 0 comentários
Ainda estou impactado com o final de House... depois de oito temporadas revistas não sei por quantas vezes, chegou ao final. Assisti apenas agora de madrugada e me coloquei a pensar muito sobre o legado que a série deixa no quesito “relacionamentos”. E, obviamente, me coloquei a pensar sobre os que tive e tenho. Mas não nos que terei.

O episódio final poderia ter uma única definição: sacrifício. Um sacrifício entre aspas, em nome da amizade e do amor, mas principalmente em nome da necessidade que se tem dessa amizade e desse amor.

Porque você terá meia dúzia de pessoas ao seu redor que conseguirá cativar pra valer. Talvez o dobro disso, mas não mais do que isso. Muitos poderão te admirar, se empolgar com sua presença ou mesmo com o que você oferece de companhia. Mas apenas essa meia dúzia realmente terá acesso pra valer a você. Destas, você se cercará de duas ou três que realmente te conhecem e te fazem se sentir bem com o que você é. Se apaixonará algumas dezenas de vezes... mas só amará pra valer uma única vez e será para sempre.

E ambos saberão que se machucarão e se machucaram, mas se completam em áreas diferentes ao mesmo tempo em que são muito iguais, sentem o mundo da mesma forma, apenas optam por agir diferente ante os percalços. Um é a consciência do outro, a realidade do outro, o contraponto sem divergir.

São atos que soam como devoção, mas não uma devoção cega e complacente. Devota-se por encontrar respaldo e amparo. É real, é tátil, palpável ao mesmo tempo em que é surreal e inatingível. Mas uma devoção sem amarras nem condicionamentos.

Há entrega, há cumplicidade e lealdade. Um ciclo não a ser completado, mas a ser iniciado pra valer, efetivado, consumido e consumado. E haverá um comprometimento mútuo, a ponto de um se sacrificar mais pelo outro... E mesmo que o outro não suporte esse "sacrifício", ainda há conforto por saber que a pessoa está ali, em nome daquilo que ambos têm.

Que não é só amizade, não é só amor... é algo maior!
Que você consiga encontrar o seu House, o seu Wilson...

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Mais uma semana

Posted: 22 de maio de 2012 | Por Felipe Voigt | 2 comentários
Eu sei que essa semana está foda. Desde domingo algo a retrai, te incomoda, te trava o corpo e limita o ar. Não é fácil voltar a lidar com o mesmo cenário mental que tanto tentou apagar ao longo dos anos. Parece que até o cheiro volta a ser o mesmo. O mesmo silêncio. O mesmo pavor. A mesma dor.

Aquela apresentadora passou pelo mesmo que você. E ter acesso às opiniões conflitantes e ignorantes e cruéis sobre esse assunto parece que te trouxe o amargo na boca de volta. Hoje a recriminam da mesma forma que fizeram contigo. A culpam como te culparam. A ignoram como te ignoraram. E tripudiam, como também tripudiaram.

E não importa quanto tempo tenha passado: seis meses, 10 anos, uma vida... há fantasmas que sempre insistem em voltar. No Natal, no aniversário, nos outonos, no feriado, no meio da semana. A sombra que assusta, o toque que acorda, o barulho que faz calar, a vontade de fugir, o desejo de morrer ou de matar.

Tudo isso voltou à tona essa semana. E te retraiu, te travou, te fez engolir a seco novamente.

Esses idiotas não sabem do que falam. Alguns até sabem, o que faz da idiotice ainda mais cruel. Apontam, julgam, condenam e pregam comportamentos. Mas eles não sabem o que é sentir isso. Eu não sei o que é sentir isso. Mas você sente. E ressente.

Apenas respire. Não sinta medo de sentir medo novamente. Não se sinta ruim por projetar esse temor nos que te rodeiam. Não se sinta exagerada por ainda não esquecer. Algumas coisas não esquecemos, apenas engavetamos. E gavetas expostas precisam ser fechadas.

Tenha alguém em quem confiar seu medo e sua revolta e sua retração. Alguém que possa te ouvir sem o olhar de pena, nem a desconfiança que enoja. Apenas fique em silêncio e peça o carinho que merece. Um ombro que ajude a suportar tua mágoa incompreendida por muitos. Uma mão que te toque sem intenção de te ferir a alma. Um olhar que diga “estou aqui”. E que você queira estar. E fique.

Mas por hoje, apenas feche os olhos e respire.
Não vamos deixar nada mais acontecer.
Apenas respire...

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O dia em que incriminei meu pai

Posted: 21 de maio de 2012 | Por Felipe Voigt | Marcadores: 2 comentários

Foi quando um estampido na rua o fez correr pra fora do bar, em desespero. Em meio a gritaria e o corre-corre dos populares, ele não acreditava no que estava olhando. E tudo aquilo causado por ele.
Na manhã daquele mesmo dia, ele acordou sem nem ter dormido. Levantou-se do sofá e correu para o mesmo cenário onde uma tragédia havia caído em seu colo dois dias antes. Naquela manhã, ele estaria decidindo a vida de seu pai e não fora lhe dadas opções nem alternativas nem chances de correr daquele inferno.
Foi assim: na terça-feira, seu pai discutiu com um bêbado ao tentar fechar o bar. Não se sabe direito como, mas o final da discussão um pedaço de garrafa acabou atravessando a garganta do bêbado, que morreu no meio da calçada após se arrastar agonizando para fora do estabelecimento.
Agora corta para o dia seguinte: um tribunal decidiu que quem faria o relatório do crime seria justamente o filho do acusado. E que o julgamento se daria no dia seguinte, em frente ao mesmo bar. Sim, não há muitas informações sobre o motivo dessa decisão. Sabia-se apenas que já estava tomada e ele deveria ser o relator daquele crime. Sim: naquelas poucas horas que restava do dia, ele decidiria o futuro de seu pai.
Corta de novo agora, para a manhã do julgamento. Aquela manhã em que ele acordou sem nem ter dormido. Ao chegar ao bar, seu pai o chama para conversar, acompanhado de um advogado qualquer. Ambos trazem uma expressão séria e preocupada. Enquanto se dirigem para a sombra de uma árvores, todo o circo é montado na rua, em um esquema que mais parecia aparato de desfile beneficente de interior: várias mesas unidas e preparadas toscamente, formando uma grande mesa forrada por tecidos que disfarçavam as emendas e que entrincheiravam sete cadeiras que logo mais receberiam sete pessoas daquela comunidade para decidirem o que fariam com a vida daquele comerciante que tirou a vida de um bêbado dois dias antes. Sob a árvore, os três conversavam, mas apenas o pai falava enquanto olhava para o filho sentado na sarjeta:
- Você vai mudar seu relatório. Vai dizer que estava confuso e que não tinha muitas informações. Caso contrário, eu irei pra cadeia!
A imprensa chegava com a mesma sede com que se banhava naquela surreal decisão de um tribunal de interior que decidiu deixar sob incumbência de um filho a decisão acerca do futuro de seu pai que havia matado um homem. Parecia roteiro de filme baseado em histórias do passado. Tudo aquilo havia causado uma grande comoção e repercussão popular. Mas estranhamente o cenário local no dia mais se assemelhava a um desfile beneficente de interior, mesmo. Quase uma quermesse adaptada às pressas.
Ao ouvir seu pai falando aquelas palavras com desespero nos olhos, ele se levantou e desceu. Precisava ouvir sua mãe, que morava há duas quadras do local. Ao se levantar, passou pela casa que se avizinha ao bar. Nessa casa, mora sua irmã mais velha. Ao passar em frente, apenas escutou um choro e ganhou um olhar de reprovação ao olhar para dentro da garagem.
Alguns minutos depois, estava na casa de sua mãe. Um caminhão de bebidas estava parado em frente, pois precisavam entregar as caixas de cerveja encomendadas, mas não havia condições de fazê-la no local determinado, já que o local determinado agora era um circo intransitável. O motorista e o ajudante reclamavam do horário atrasado e de como aquele contratempo faria com que mudassem todo seu itinerário.
Sem dar muito mais atenção para o diálogo daqueles que ignoravam seu desespero, ele chega sem saber como olhar para sua mãe, que o recebe com um semblante preocupado mas ao mesmo tempo complacente:
- O que faço, mãe?
- Não sei, filho... não sei.
Sem falar mais nada, ela o abraça. Mas eu seus olhos dizem que seu pai poderá ser preso e que isso mudaria as vidas de todos. O desespero se reflete na lágrima que desce e que logo é dissipada ao cair. Enquanto isso, os entregadores de bebida descarregam as caixas na garagem, ignorando os dois ali, abraçados próximos ao portão.
Corta agora para o bar: a votação está em 2 a 0. Três votos pelo relatório do filho, que incriminava o pai. Ao que isso indica, ele não acatou a decisão do pai de rever o que escreveu. E isso mostra que o que escreveu incrimina o pai. A cada voto, uma salva de urros e falatórios tomava a rua. E ele não entendia como tudo aquilo havia ganhado tal grandiosidade. Era apenas um bêbado sem família que havia sido assassinado por algum motivo. Talvez tivesse ameaçado o dono do bar, talvez tivesse sido a legítima defesa que a defesa defendia. O motivo do crime não estava muito óbvio, assim como o motivo pelo qual optou por acusar o pai.
Enquanto esperava na calçada pelo terceiro voto, vê descendo pela rua um irmão de seu pai que há muito havia brigado com ele. Os irmãos não se falavam há anos, o que ele queria ali naquela hora? Quando o tio se aproximou, tentou uma gracinha para amenizar a resistência visível do sobrinho. Não deu certo e foi completamente ignorado. O filho estava com um estranho nó na garganta e abalado demais para lidar com outra coisa que não fosse aquilo.
O pai, dentro do bar, caminhava de fora para dentro e de dentro para fora repetidas vezes. Trajava sua tradicional camiseta regata, bermuda e chinelo. Mas o bar estava vazio, apenas ele caminhava de dentro para fora, de fora para dentro. E apenas seu filho também tinha acesso ao local, mas mal o fazia.
O terceiro voto foi de uma mulher jovem demais para entender o que acontecia. E ela votou pelo relatório do filho também. Placar de 3 a 0. Mais um e todo o destino daquela família seria mudado. Corta de novo, agora para a votação empatando em 3 a 3. O penúltimo voto foi de um primo do filho, um sobrinho do pai. A proporção da surrealidade ultrapassou alguns limites agora: no júri onde um filho fora praticamente forçado a acusar o pai, um outro parente estava o julgando. E o julgou inocente.
Os olhos dos outros familiares estava arregalados demais, esperando o sétimo e último voto. Enquanto o falatório amenizava, a filha mais velha não olhava para o irmão. A irmã mais nova estava com a mãe em casa, ambas não suportariam presenciar aquele inferno circense surreal. Enquanto o silêncio voltava a cortar o barulho da rua, o marido da irmã mais velha chama o sogro para fora. O cunhado do filho estava acompanhado do advogado de defesa. Conversavam seriamente com o pai, de forma reservada e baixa, encostados em um poste.
O filho estava dentro do bar. Agoniado, não sabe o que pensar. Nem o que sentir. Tudo era sem sentido, não havia uma explicação racional ou lógica que explicasse o que estava acontecendo. Era como se ele tivesse sido jogado do nada naquele absurdo. Era como se em um domingo tivesse assistido à tarde ao tradicional jogo dominical com seu pai, falado algumas besteiras triviais e, no segundo seguinte, estivesse ali, dentro daquele bar, esperando o último voto que livraria ou não seu pai da cadeia. E tudo pesava sobre seus ombros. Como isso foi acontecer?
Do lado de fora, uma buzina de caminhão corta o silêncio que cortou o falatório. Eram os entregadores de bebida querendo passar pela rua tomada de gente e que a impedia de seguirem o itinerário atrasado. O motor ligado rangia a cada acelerada nervosa.
Antes de ir ao encontro do genro, o pai chamou o filho para dentro e apenas os dois conversavam em pé ao lado da mesa de bilhar. O pano era vinho, recém-trocado. O pai coloca a mão nos ombros do filho e sorri ao olharem para a mesa:
- Foi você quem pediu por essa cor de pano, né? Eu gostei, apesar de relutar em aceitar sua sugestão... Ficou bom, não?
O filho começa a chorar e olha para o pai sem dizer nada. Não sabia como pedir desculpas, nem como se livrar daquilo. Trazia muito medo no olhar, medo esse que encontrava respaldo no do pai. Com os olhos mareados, puxa o filho pela nuca e lhe dá um beijo na testa antes de sair para atender o chamado do genro:
- Apenas me prometa que não vai deixar o bar fechado.
E assim saiu. Agora o filho estava lá dentro, andando de um lado para o outro, sem saber o que esperar do último voto. O silêncio e o frio lá dentro eram absurdamente insanos. Tentou beber algo, mas nada descia além das lágrimas. Foi quando um estampido na rua o fez correr pra fora do bar, em desespero. Em meio a gritaria e o corre-corre dos populares, ele não acreditava no que estava olhando. E tudo aquilo causado por ele.

E foi quando eu acordei. O estampido no sonho me acordou. E naquele desespero de entender um sonho tão surreal, tentei voltar correndo a dormir. Sabe quando você ainda está sob impacto do sonho e precisa saber como terminou? Ainda mais nesse momento tão crucial da história? Pois bem... e como sempre, a gente nunca consegue voltar. Apenas pega, de olhos forçadamente fechados, vestígios do que sonhou.
O estampido lembrava um tiro? O genro e o advogado já previam a condenação pelo sétimo jurado e assim resolveram dar uma arma ao acusado? E o que ele fez? Se matou ou matou o jurado? Ou apenas era o barulho do caminhão passando com pressa pelo local depois que todos desbloquearam a rua ao ouvir o veredito que inocentava o pai?
Não sei.
Só sei que acordei assim, assustado, sem entender direito o porquê sonhei isso. E de forma confusa, com tantos cortes de cena e sem explicações. Levantei-me do sofá e fui para a cama, não sem antes escrever este surreal sonho às 6h da manhã.
Mas foi assim o dia em que acusei meu pai.
                                                  
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A referência é um caco

Posted: 17 de maio de 2012 | Por Felipe Voigt | Marcadores: 1 comentários
Tudo o que buscamos na vida é sermos referências em algo ou para alguém.

Seja no trabalho, nos estudos, no lazer, seja entre os que te cercam, sempre pretendemos marcar algo em alguém ou em alguma coisa. Por mais que a vida passe sem grandes transformações e conquistas e emoções, ainda assim esperamos que em algum período da nossa existência tenhamos marcado as páginas de alguém. Que seja em uma mera nota de rodapé, mas que haja uma leve referência ao nosso nome, independente do virar dos anos.

Há uma lembrança minha de adolescência que me vem à cabeça frequentemente quando fecho os olhos: eu fui goleiro de futebol de salão da minha classe da oitava séria ao terceiro colegial. E pela primeira vez na minha vida eu era bom em algo. Não só era como me sentia bom. Enforcava aula para jogar por outras classes, sempre que precisavam de alguém para “catar no gol” me chamavam. Jogava de bota e jeans, de moletom e sandália. Mas jogava.

E toda vez que me recordo desse período, lembro-me de uma defesa espalmada no ângulo depois de um chute à queima-roupa. Plástica, bonita, sonora, daquelas que te fazem se levantar do chão olhando em volta e dizendo: eu sou foda!

Em algo besta, pequeno e temporal eu fui uma referência.

Ainda vejo vestígios desse cara foda. Vejo em uma bola bem encaçapada no bilhar e que extrai a admiração de quem assistiu. Em uma frase bem aplicada em meio a estrofes e estrofes pretensas de um poema e que extrai de quem leu um “puta que pariu”. Em um sorriso mágico extraído através de um simples presente feito por mim e que tinha a clara intenção de causar isso em quem sorriu. Em uma argumentação bem elaborada em meio a uma discussão e que extrai o silêncio do debatedor oponente.

Tudo isso eu faço porque sei que sou foda em algumas coisas.
Coisas que não conheço ninguém que possa fazer igual.
Melhor, sim... mas igual, não.

Só que isso não muda muito as coisas por aqui. O fato de ser foda deveria me tirar algumas sensações, mas não tira. Saber que sou foda apenas piora. É pretenso, é egolatria, é umbiguismo, chame como quiser. Mas sei que sou foda e isso não me faz melhor ou pior que ninguém. Apenas me faz diferente. Porque me sinto assim: diferente.

Sou o único filho homem dos meus pais. Sou o que dorme pouco e pensa muito e viaja demais. Sou o arrogante, sou o holograma, sou o que não existe. Já fui o primeiro beijo de alguém. Já fui o primeiro sexo de alguém. Já fui o primeiro namorado. Já fui o primeiro marido e o primeiro divórcio. Nunca fui o primeiro amor nem nunca fui o único amor de alguém. Talvez nunca consiga sequer ser o último amor de alguém. Não me entrego ao trabalho com a mesma dedicação com que me entrego a alguém. São e foram minhas referências.

Não vou construir casas, pois casas não fazem lares. Não erguerei paredes, pois paredes não seguram sentimentos. Fiz dos meus conceitos meu templo e neles me abrigo. E os reformo sem que precise mudá-los.

E hoje estou assim: perdido e sem referências para saber qual referência sou hoje. Não consigo escrever, não consigo pensar em nada muito foda. Estou comum, estou banalizado, estou normalizado. Só que preciso voltar a me sentir foda.

Porque ser referência é uma maneira de enganarmos a morte. E quando essa vadia vir me buscar e trouxer o alívio para este inferno que é viver dentro da minha pele, não conseguirá recolher todos os cacos que soltei por aí e por aqui.

Só preciso saber quais são esses.

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O apogeu de uma vontade

Posted: 6 de maio de 2012 | Por Felipe Voigt | Marcadores: 0 comentários
Olhe agora para fora
A Lua hoje está mais perto
De certo, ficou sabendo
Que minha vida anda um deserto
Veio ver se era verdade
Toda essa minha vontade
Que sinto em meu peito aberto

Quantas vezes não me viu
Aqui de baixo te olhando?
E quantas vezes não me ouviu
No meu canto, soluçando?
De tanto ver minha saudade
Aproximou-se com austeridade
Por não aguentar me ver chorando

Mesmo longe, eu te entendo
De estar mais próxima gostaria
Mas tua presença durará pouco
Tão logo a noite se acabe em dia
Aproveite tua proximidade
Esqueça, pois, minha fragilidade
E aqueça um pouco esta noite fria

Olhe, Lua, hoje te imploro
Me ouça com atenção
Sei que pode me ouvir
E escutar meu vil sermão
Percorra esta cidade
Encontre a cumplicidade
Daquela que partiu meu coração

Invada aquelas portas
Quebre as barreiras do tempo
Nos transporte ao passado
Aos dias que bem me lembro
Nos banhava sua claridade
Nos aquecíamos na eternidade
Que durava aquele momento

Quebre o silêncio do frio
Dure o tempo de um cigarro
Enquanto aceso e fumado
Diga a ela que me agarro
Em toda minha ingenuidade
Da minha franca lealdade
Deitado agora em meu carro

A faça olhar para cima
E te ver como eu te vejo
A faça sentir o clima
Do sentimento que apedrejo
Com golpes de crueldade
Por lembrar da intensidade
Do nosso mais tenro beijo

Roube do seu rosto um riso
Em sua pele cause um arrepiar
Ao sentir o vento frio
Que a acompanha ao te olhar
Mostre a invencibilidade
Da nossa fiel realidade:
Por ela ambos iremos esperar

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Meu livro para download

Posted: 23 de abril de 2012 | Por Felipe Voigt | Marcadores: , 1 comentários

“Eram 69 poemas vagabundos” é a prova de que a obra pode – e deve! - sempre superar o autor. Previsto para serem apenas, como o nome diz, 69 poemas, acabou criando força e transbordou as páginas e alma daquele que os escreveu. Ao longo de 102 textos, publicados na ordem em que foram escritos (exceto o primeiro e o último), verá toda minha pretensa tentativa de traduzir o que sinto  e senti  em noites afogadas em lágrimas derramadas sozinhas em meu sofá. Algumas boas, muitas ruins...
Os sentimentos foram e são reais, por isso a desnecessidade de datá-los. 
Eram 69... foram 102... e serão muito mais. 
Até quando eu conseguir respirar mesmo me faltando o ar.
(Com prefácio do Paulão das Velhas Virgens)
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Incansável escudeiro

Posted: | Por Felipe Voigt | Marcadores: 1 comentários


Pois de todos os companheiros
Foste o mais incansável e leal

Camuflou-me das trincheiras
Da ignorância e da moral
Quando viste que iria afundar
Derrubou-me para fora da nau
Para preservar-me a sanidade
Mesmo em tua insana irrealidade
Fez-me, por vezes, até antissocial

Em tuas linhas, protegi-me
Em teus parágrafos, encontrei-me
Em tuas capas, refleti-me
Em tuas páginas, derrubei-me

Olhas-te me de longe
Em tenebrosas noites
Quando nem mesmo eu
Suportava meus acoites
Estes rompantes que soam
E no meu vazio ecoam
Como irresistíveis convites

Soubeste me ler quando te li
E quando te fechei, me abri
Pois te abri para não me fechar mais

Nos piores dias de solidão
Onde perdido, ceguei-me
Quando a manhã e seu clarão
Sem ventura, violavam-me
E na escuridão em que me abrigo
Agarrando-te tal ancora em meu umbigo
Nem assim abandonaste-me

Quando me acovardei, lutaste
Quando me joguei, segurou-me
Quando me segurei, empurraste
Quando me matei, ressuscitou-me

Com lágrimas minhas
Molhei as histórias tuas
Com mãos suadas, manchei-te
Ao te abraçar, amassei-te
Sufocado, pois, pela saudade
E inebriado pela vontade
Que em teu silencio me gritaste

Pois de todos os companheiros
Foste o mais incansável e leal

(pelo Dia Mundial do Livro)


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Um pedido velado de socorro

Posted: 13 de abril de 2012 | Por Felipe Voigt | Marcadores: , 5 comentários

O mais triste é saber que se acostumaram à minha dor.

Todos que me conhecem um pouco e que têm acesso a mim, sabem que sofro uma constante dor. Quando chegam perguntando “tudo bem?”, se acostumaram a ouvir um “não” ou um “tudo indo”. Logo depois, na maioria dos casos, segue-se apenas a conversa habitual, sem muito interesse por como estou. Falam de seus problemas buscando soluções em algo que eu possa dizer ou compreender. Talvez busquem referência justamente em alguém que está em eterna busca de compreender a dor e o sofrer.

Habituaram-se ao meu sofrimento, sabem que é uma condição existente e que não há o que ser feito. Desistiram de tentar pois é quase instantâneo em mim a recusa a qualquer ajuda.

Mas não sabem que no fundo estou implorando por ela. Na minha reclusão, quase me rasgo por um socorro. Mas não qualquer socorro. Não aqueles com frases de estímulo do tipo “tudo vai passar”. Quem me conhece sabe que não: não é tudo que passa comigo. Quem diz que vai passar é porque não me conhece. Ou então porque não tem condições de lidar com o que trago em mim, esse peso tão intenso que sufoca e machuca.

Mesmo aqueles que não sabem lidar com isso se sufocam e se machucam ao estar ao meu lado durante minhas crises, meus surtos, meus rompantes. Com isso, a tendência é se afastarem. Pois “não há o que ser feito” para me ajudar e, portanto, resta apenas se acostumar. E se acostumando, se afastam... pois se cansam.

Nessa habituação ao meu sofrimento, tudo vira normal: meus poemas, meus textos, minhas lágrimas, minhas noites sem dormir. Já sabem que isso é cotidiano e se chocam menos. Quase vira um conformismo, uma aceitação a algo que nem eu consigo aceitar. Pode parecer que não, mas há uma luta imensa sendo travada aqui dentro dessas linhas que me cercam.

Das pessoas mais difíceis que conheço, sou a mais impossível. Entendo até a necessidade que possuem de se afastar de mim. Fazem para não me ver nesse estado, nessa condição. Fazem para não sofrer ao me verem sofrer. Uma postura mais fácil ou menos difícil para elas, talvez.

Mal sabem elas que grito em silêncio para suas costas, ante de fecharem de novo, mais uma vez, aquela maldita porta.

Pois se sofro com a presença, com a ausência haverá sofrimento ainda maior. A dor se potencializa na ausência, se digladia no afastamento, se alimenta da distância. Houve quem conseguisse me tirar dessa condição. Me mostrar um outro eu que existe aqui dentro e que gosto dele. Não é um outro eu, apenas um outro lado meu que quase ninguém consegue fazê-lo sair. E eu gosto desse cara, sinto falta dele... e ele existe. Me mostraram que ele existe.

Mas há um lado meu muito cruel comigo. Esse lado cruel tende a massacrar esse meu lado que gosto que exista. Acredite: eu sou muito cruel comigo, realmente chego a níveis absurdos até mesmo para mim. Crio cenários, situações onde esse meu outro eu será rechaçado, humilhado, destruído com todos os requintes sádicos.

E eu realmente sei como fazer isso com maestria.
Nessa fornalha chamada dor, eu a alimento me usando como lenha.

E por que faço isso? Não sei. Nessa minha incessante busca pela compreensão da dor, me coloco em situações ainda piores só por necessidade de entendê-la e conseguir respostas. Mas isso me faz uma pessoa cheia de certezas dentro das inúmeras dúvidas. Estou quase sempre certo e isso me faz ter cada vez mais sede por respostas que aliviem essa certeza. Nesse processo, queimo quase todos que tentam estender a mão para me ajudar.

E o que há de ser feito? Eu preciso apenas que alguém consiga ficar. Não qualquer alguém, mas alguém que saiba e entenda. Que saia mas volte. Que doa mas fique. Que lute comigo contra mim. E que me ajude a defender aquele meu outro eu. E que não tenha medo de me machucar, ser injusta ou egoísta.

Só não sei se mereço... 


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Hoje eu também fui estuprado

Posted: 29 de março de 2012 | Por Felipe Voigt | Marcadores: 3 comentários

Crianças de 12 se prostituem. São estupradas. O caso vai para o Superior Tribunal de Justiça. E qual a decisão?

"...não se pode considerar crime o ato que não viola o bem jurídico tutelado – no caso, a liberdade sexual. Isso porque as menores a que se referia o processo julgado se prostituíam havia tempos quando do suposto crime." 

Isso mesmo: para o STJ, as meninas não foram estupradas, já que se prostituíam há tempos e isso as colocam em posições diferentes diante de um crime bárbaro como um estupro. O que era pra ser um julgamento de um estuprador, virou uma acusação às vítimas! E abriu um precedente imensamente perigoso.

“...as vítimas, à época dos fatos, lamentavelmente, já estavam longe de serem inocentes, ingênuas, inconscientes e desinformadas a respeito do sexo.

Viram? O estuprador saiu como vítima da história, já que as crianças não eram mais ingênuas. Não, não estou inventando isso: a matéria foi publicada no site do STJ e eu recomendo que leia.

Minha indignação ultrapassou meus limites normais. Nós, que tanto lemos e lidamos com isso no Querido Ogro, deveríamos estar habituados, não é? Não... não há como se acostumar a isso. Se acostumar é se acomodar, é deixar morrer o dom e o tom da indignação, da revolta, do nojo que tal prática causa.

Ao nos acostumarmos, deixamos que o padrão se estabeleça.

Esse comportamento típico ao qual fomos banhados por décadas e que o STJ legitima agora, apenas oprime ainda mais as vítimas e as deixam desamparadas, com uma sensação de que a sociedade aceita que passem por isso e pior: não fará nada para coibir ou punir. O sentimento de culpa nelas será agravado com essa decisão. Triste demais, deplorável demais!

O que há de ser feito? Mandei a mensagem abaixo para a Ouvidoria do STJ:

"O Superior Tribunal de Justiça presta um desserviço ao inocentar um estuprador de meninas de 12 anos que se prostituíam! Senhores ministros: o que estão fazendo é desumano, pois abrem um precedente perigoso demais! Quer dizer que por se prostituírem estão dentro de parâmetro onde se aceita que sejam estupradas por isso? Então prostitutas poderão ser estupradas? Afinal, estão "longe de serem inocentes, ingênuas e desinformadas a respeito do sexo".Ou ainda: uma criança de 12 anos que já tenha feito sexo também será passível de estupro, já que deixou de ser "ingênua" sobre o assunto?  Se a criança for uma prostituta (por fatores de desamparo social e político, por exemplo), ela não será considerada vítima se alguém a estuprar... Ou mesmo: se o estuprador provar que ela já tinha uma vida sexual ativa antes dos 14, também não será estupro!As meninas se prostituíam e foram estupradas. Por que estavam ali? O STJ ao invés de punir o Estado, inocenta o estuprador! Ao invés de cobrar das autoridades por uma assistência social que não levasse as meninas a tal prática, preferem estimular outros estupros sob essa mesma alegação: elas estão ali pra isso, sabem sobre sexo e não são mais inocentes.Um precedente medonho e assustador demais, senhores ministros. Ainda mais sendo uma relatora mulher, que deveria ter uma sensibilidade maior justamente por ser mulher, mãe, avó, tia... Me sinto igualmente estuprado hoje ao saber que o magistrado do meu país é conivente com tal monstruosidade. Um passo é dado em cada lei aprovada, mas dois são dados atrás com decisões como essa."

Pode não ser efetivo? Pode... mas quem garante que não? O que não dá é pra deixar esse desserviço passar assim, sem ao menos mostrar ao nosso Supremo que não estão acima dos interesses sociais.

Mas não estamos sozinhos. a Secretaria de Direitos Humanos publicou uma nota sobre o sobre o caso:

"Com essa sentença, um homem foi inocentado da acusação de estupro de três vulneráveis, o que na prática significa impunidade para um dos crimes mais graves cometidos na sociedade brasileira. Esta decisão abre um precedente que fragiliza pais, mães e todos aqueles que lutam para cuidar de nossas crianças e adolescentes." Leia mais

E depois de ler tudo isso, o que você vai fazer? Ficar calado e achar que não tem nada a ver com isso? NÃO! Vá em suas redes sociais e demonstre também sua indignação. Dê todo apoio ao que lutam tanto contra isso. Vá à ouvidoria do STJ e também deixe sua crítica aos ministros. Leia relatos de quem passou por isso e sinta suas dores e não queira que isso aconteça com quem te cerca.

Não dá pra ver isso e ficar calado... as vítimas são sempre as crianças!

:: Link da Ouvidoria do STJ
:: Perfil da Ministra dos Direitos Humanos no Twitter
:: Carinho de Verdade: movimento contra o abuso de crianças e adolescentes
:: Pra sentir o que é estar do outro lado: depoimentos de vítimas de pedofilia
:: Vítimas de estupro também contam o que é ser estuprada e se ver como culpada


Mas por hoje eu também fui estuprado pelo STJ... e não: eu não tive culpa nisso.

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